A corporação moderna não surgiu do nada. Surgiu de um mecanismo histórico específico que combinava o poder do Estado com a iniciativa privada. Estamos falando da empresa fretada. Estas entidades evoluíram na Europa do século XVI como resultado direto da concessão de direitos específicos pela autoridade soberana. O acordo era simples, mas poderoso. O estado deu à empresa um monopólio comercial. Em troca, a empresa tratava do comércio em uma área geográfica específica ou de bens específicos.
No século XVII, este modelo tornou-se o motor da exploração ultramarina. Os governos de Inglaterra, França e Países Baixos encorajaram estas organizações a ampliar as fronteiras comerciais. O objetivo era a expansão. O mecanismo era de responsabilidade limitada envolta em privilégio real.
Quem controlava as rotas comerciais?
Nem todas as empresas licenciadas foram criadas iguais. A sua influência dependia inteiramente de onde operavam e do que comercializavam. Os grupos de maior impacto concentraram-se em dois teatros principais: as Índias e o Novo Mundo.
No Oriente, empresas como a Companhia Inglesa das Índias Orientais, a Companhia Holandesa das Índias Orientais e a Companhia Francesa das Índias Orientais dominaram. Eles não comercializavam apenas especiarias. Eles construíram impérios. Eles controlavam rotas que atravessavam continentes. As suas cartas permitiram-lhes agir quase como estados soberanos por direito próprio. Eles negociaram tratados. Eles formaram exércitos. Eles tributaram os habitantes locais. Tudo isso foi feito sob a proteção de uma carta régia.
No Ocidente, o foco mudou para o assentamento e a extração de recursos. A Hudson’s Bay Company se destaca aqui. Seu estatuto concedeu-lhe o monopólio do comércio na bacia de drenagem da Baía de Hudson. Não se tratava apenas de pele. Tratava-se de reivindicar terras. A empresa governou efetivamente um enorme território onde hoje é o Canadá. Arrecadou impostos. Administrou a justiça. Detinha o título de terra.
Além do comércio: colonização e colonização
Algumas empresas licenciadas fizeram mais do que comprar e vender. Eles mudaram as pessoas. A London Company e a Plymouth Company foram estabelecidas com o objetivo explícito de estabelecer colonos no Novo Mundo. Essas organizações não apenas enviavam cargas. Eles enviaram famílias. Eles enviaram trabalhadores. Eles enviaram o início de comunidades europeias permanentes na América do Norte.
Este duplo papel – comércio e colonização – tornou as empresas licenciadas excepcionalmente perigosas e poderosas. Eram entidades privadas com poder público. Eles poderiam travar a guerra sem declará-la. Eles poderiam impor leis sem consentimento. Eles operaram longe da supervisão dos governos nacionais.
Por que eles recusaram?
O modelo de empresa fretada era brilhante para a época. Resolveu o problema do alto risco no comércio de longa distância. Os investidores podiam investir dinheiro num empreendimento sabendo que a sua responsabilidade estava limitada ao seu investimento. Se um navio afundasse, eles não perderiam toda a sua fortuna. Isso incentivou o fluxo de capital para a exploração.
Mas esse brilho tornou-se um risco. A moderna sociedade de responsabilidade limitada surgiu como uma alternativa mais flexível. Não era necessária a existência de uma carta real. Não era necessário que um governo lhe concedesse um monopólio. Poderia ser formada por pessoas físicas de acordo com o direito comercial geral. Os obstáculos burocráticos para garantir e manter uma carta tornaram-se um fardo e não um benefício.
À medida que a legislação societária evoluiu, as vantagens exclusivas da empresa licenciada diminuíram. Outras empresas poderiam conseguir uma mitigação de risco semelhante sem o envolvimento político. O Estado já não precisava de empresas privadas para agir como seu procurador. Poderia regular o comércio diretamente. Poderia fazer cumprir as leis através de suas próprias instituições.



















